Desembargador do TJRS ministra curso sobre comunicação para magistrados sergipanos

‘Relação Mídia/Judiciário’ foi o curso ministrado hoje, 06/08, pelo Desembargador Túlio de Oliveira Martins, do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, para os magistrados sergipanos. O principal objetivo da Escola Judicial do Estado de Sergipe (Ejuse) foi oferecer a Desembargadores e Juízes uma visão objetiva dos meios de comunicação social e do trato com a imprensa, bem como capacitar os cursistas para uma boa relação com jornalistas. 

Segundo o diretor da Escola Judicial de Sergipe (Ejuse), Desembargador Cezário Siqueira Neto, uma das dificuldades que o magistrado tem é a de se comunicar através dos diversos tipos de mídia. “Primeiro, por vedação legal, não podemos conversar sobre os processos que estamos julgando e, em segundo, porque não somos treinados para isso quando entramos na magistratura”, explicou o diretor.

Ele lembrou que o Brasil passa um momento em que se exige a transparência. “Então, é necessário que os Poderes se comuniquem com a sociedade e o instrumento através do qual podemos fazer isso é a mídia. É justamente nisso que a Ejuse quer investir. No ano passado, já tivemos o media training com o jornalista Domingos Meireles e, agora, com o Desembargador Túlio, pessoas extremamente importantes e que são experientes na área”, completou o Desembargador Cezário.

Já no início do curso, o palestrante falou sobre a existência de um Conselho de Comunicação Social no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, do qual ele é o Presidente e é composto por mais seis Juízes. O Desembargador Túlio Martins também falou sobre o trabalho da assessoria de comunicação do TJRS na ocasião do incêndio em uma boate na cidade de Santa Maria. 

“Tenho uma experiência de quase 30 anos na área de comunicação social. De uns seis anos para cá, profissionalizamos o trabalho no TJRS nesse sentido. O Tribunal utiliza-se de um porta-voz, que sou eu. Sempre fazemos declarações sobre qualquer assunto. Se o colega quiser falar, ele fala, auxiliado pela assessoria de comunicação. Se ele não quiser falar, a imprensa não deixa de ser atendida. Tem funcionado muito bem”, revelou.

Outro tema abordado no curso foi o uso de termos jurídicos durante entrevistas. “O discurso, a fala, é basicamente um exercício de sedução. Eu tenho que falar de uma forma que a pessoa preste atenção. Temos a obrigação, enquanto magistrados, de sermos muito específicos, mas precisamos afrouxar isso um pouquinho ao falar, fugindo do juridiquês. Mas quando tivermos que usar a palavra técnica, explicar do que se trata. Simplificar a linguagem não é muito fácil”, analisou o Desembargador Túlio.

Ao final da palestra, houve um tempo para perguntas dos magistrados. O Juiz Corregedor Francisco Alves Júnior participou do curso e aprovou a iniciativa da Ejuse. “Cada vez mais a sociedade tem cobrado prestação de contas por parte dos administradores públicos. A comunicação entre sociedade e Judiciário é um tema pouco explorado, ainda, e precisamos debatê-lo. Ninguém quer um juiz vedete, mas é preciso que a magistratura debata o assunto porque há um sentimento de déficit de comunicação externa e também interna no Judiciário. É precisamos estar atentos a esse tema para que possamos melhorar nosso serviço”, opinou Francisco Alves Júnior.

 

Fonte: Ejuse/TJSE