Economia do Trabalho será tema de curso na Ejud em 2013

Desembargadores e juízes da 8ª Região tiveram nesta terça-feira, 18, uma prévia do Curso de Especialização em Economia do Trabalho para Magistrados e Servidores Públicos do Instituto de Economia/Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade de Campinas (Unicamp), que será ministrado ao longo de dez meses, em 2013, na Escola Judiciária (Ejud) do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) em Belém, com um total de 360 horas-aula. Uma apresentação do curso foi feita pelo professor doutor da Unicamp Marcelo Weishaupt Proni, que ministra no Instituto de Economia da Unicamp as disciplinas de Desenvolvimento Econômico; Mercado de Trabalho e Políticas Públicas.

Será a segunda vez que o curso será oferecido na 8ª Região. A primeira vez foi em 2005 e o desembargador Sérgio Rocha, atual diretor da Ejud, foi um dos participantes. A previsão é de que o edital do curso seja publicado em janeiro e as aulas comecem em fevereiro. De acordo com o Dr. Sérgio Rocha, a volta do curso de Economia do Trabalho foi uma reivindicação unânime do Conselho da Ejud, na primeira reunião sob a sua direção: “Uma das coisas que ficou clara foi a vontade de retomarmos a parceria com a Unicamp. A ideia é de que o curso seja uma referência aos juízes da 8ª Região e que não tenhamos o curso só em 2012, mas periodicamente, porque é de grande utilidade”, destacou o desembargador.

Uma das ex-alunas do professor Marcelo Proni na primeira vez em que o curso foi ministrado em Belém foi a atual presidente do TRT8, desembargadora Odete Alves, que saudou a todos os participantes da aula inaugural prevendo um período muito bom de aquisição de conhecimento, com o desembargador Sérgio Rocha à frente da Ejud.

O próprio Sérgio Rocha explica o objetivo do curso: “Nossa expectativa é tentar compreender como está se dando o processo de desenvolvimento da economia brasileira, e em que medida esse processo afeta as relações de trabalho e especificamente as relações com os atores sindicais no Brasil de hoje. Somos chamados a tomar decisões sobre uma realidade que precisamos conhecer e como a economia global, brasileira e regional se inserem nesse processo, como estas relações de trabalho estão se desenvolvendo e sendo postas. Muitos de nós tivemos esse contato [com o curso] e a mim ajudou bastante a compreender. A minha expectativa é de que os colegas sejam levados ao mesmo tipo de reflexão. Era uma preocupação também dos colegas do conselho [da Ejud].”

O juiz substituto da 14ª Vara do Trabalho, Marcos César Moutinho da Cruz, que também é conselheiro da Ejud e diretor da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Amatra), elogiou a iniciativa do curso. “Na faculdade não temos esse tipo de matéria, bastante específica, que junta a economia com o nosso objeto de trabalho, que é o mundo do trabalho. Outro ponto é a questão de atualização. Esse tipo de curso traz aos juízes atualizações que eles nem sempre têm como conseguir. A gente lê, sempre está tentando se informar, mas em relação a esse tipo de matéria, com conceitos, conteúdo doutrinário, não temos. Esse contato com o mundo acadêmico é importante e nos dá um conhecimento muito grande”, destacou Moutinho.

O professor Marcelo Proni ressaltou que, mesmo sendo o curso o mesmo já ministrado na 8ª Região e em outros tribunais do trabalho pelo país, o conteúdo é sempre atualizado e atende às demandas elaboradas pelos alunos. “A universidade, além de formar quadros profissionais, fazer pesquisas e produzir conhecimento, tem esse papel de intercessão com a sociedade. No caso da Justiça do Trabalho, há algum tempo temos esse diálogo com magistrados, que tem sido muito gratificante. É nosso papel ajudar e saber que estamos contribuindo para o papel de vocês, que é difícil, porque vocês sofrem pressões. Podermos pensar juntos algumas dessas questões é muito gratificante, assim como encontrar ex-alunos que dão depoimentos positivos sobre o curso”, disse Proni aos participantes da apresentação.

O professor da Unicamp orientou os participantes ao diálogo e a explorar o conhecimento dos professores, sem aceitar a verdade estabelecida. “Os professores podem ter opiniões diferentes, as pessoas não pensam da mesma forma e o objetivo não é que vocês acabem o curso pensando todos da mesma maneira, nem repetindo e pensando todos o mesmo conteúdo. Não é um curso instrumental, que ensina como se aplica o conhecimento, é um curso de dá condições para que vocês, com a bagagem que já têm, aprofundem as reflexões que vocês já fazem”, informou. “Temos convicção de que conseguiremos enxergar a economia brasileira e as relações internacionais de uma maneira muito rica e queremos compartilhar com vocês”, acrescentou Marcelo Proni.

Ascom TRT 8ª