Enfam traça diretrizes para curso de formação de magistrados docentes

O curso Formação de Formadores em breve ganhará diretrizes institucionais e curriculares traçadas pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e pelos representantes das escolas judicias e da magistratura de todo país. No período de três dias, 27 magistrados e a equipe de ensino da Enfam elaboraram o texto-base das diretrizes para aprimorar o curso durante a realização do Workshop – diretrizes para a atuação e formação do formador magistrados – debates e práticas. .

Para a secretária-executiva da Enfam, Rai Veiga, a participação dos representantes das escolas na elaboração das diretrizes curriculares do curso Formação de Formadores representa o espírito da gestão democrática da Escola, além de ser uma ação inédita. As sugestões serão consolidadas pela equipe da Enfam e servirão para nortear os cursos ministrados pela Enfam e escolas judiciais e da magistratura.

Para elaborar as diretrizes curriculares do curso Formação de Formador o trabalho no Workshop foi dividido em duas etapas. Nos primeiros dois dias foram realizados discussões e debates sobre os temas: O papel do formador magistrado no contexto atual, Sensibilização do formador magistrado: ressignificação do papel e das práticas do ensino na magistratura, Andragogia, competências e papel do formador magistrado – aspectos práticos e Métodos de ensino, de aprendizagem e de avaliação e Diretrizes curriculares – formação de formadores.

No último dia os participantes do Workshop foram divididos em grupos temáticos a saber: estruturação de um curso de formação de formadores, papel do formador, avaliação de aprendizagem dos formadores, ferramentas e métodos pedagógicos e recrutamento e seleção de formadores. As diretrizes serão divulgadas quando as propostas forem consolidadas pela equipe de ensino da Enfam.

Para o desembargador Cláudio Luís Martinewiski, diretor da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), a nova orientação da Enfam, voltada para uma qualificação pedagógica humanística dos docentes magistrados, é altamente louvável, além de representar uma novidade substancial para as escolas. O magistrado acredita que haverá um ganho na prestação dos serviços à sociedade a partir da melhoria dos cursos ministrados aos magistrados.

A visão mais humanística na formação dos magistrados, destacada no Workshop, foi elogiada pelo juiz de Direito Aluísio Gurgel do Amaral Jr, do Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE). O magistrado ressaltou que o Workshop cumpriu o seu papel ao preencher uma lacuna que existe para discutir a formação dos formadores dos magistrados.

Desafiador

A juíza Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez, do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso (TJMT), classificou o Workshop de “desafiador” por revelar a importância do conhecimento pedagógico. “Temos que reconhecer que precisamos nos embasar numa teoria crítica baseada no contemporâneo. Reconhecer que, além do conhecimento teórico e jurídico, entrelaçado com outros conhecimentos, com ênfase na natureza humanística”, afirmou.

Para o conselheiro da Enfam, juiz Walter Nunes, eventos como o Workshop são imprescindíveis para o trabalho dos juízes. Traçar as diretrizes pedagógicas dos cursos (formação inicial, formação continuada e formação de formadores) é fundamental para alicerçar o trabalho mais perene da Enfam.

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