Jornalista Heraldo Pereira fala das dificuldades da relação entre magistrado e mídia

O jornalista e advogado Heraldo Pereira, um dos apresentadores regulares do Jornal Nacional da Rede Globo, instigou os jovens magistrados do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) a utilizar a mídia para educar e prestar esclarecimentos à sociedade. A palestra foi proferida durante o módulo nacional do curso de Iniciação Funcional de Magistrados promovido pela Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo (Enfam).

Pereira enfatizou a necessidade de o juiz interagir com a opinião pública por conta das suas responsabilidades e funções. “O magistrado tem de fazer comunicação, ocupar o espaço político-institucional nos meios de comunicação. Se o juiz não fala, o Judiciário corre o risco de perder densidade política”, afirmou.

O repórter lembrou a complexidade que é noticiar as atividades do Judiciário, já que os jornalistas – leigos em Direito em sua maioria – têm a obrigação de tornar as questões mais áridas e técnicas em assuntos palatáveis à média da população. Para tanto, alertou os juízes quanto à necessidade do uso de um vocabulário mais acessível. “O Direito usa um vocabulário que as pessoas não falam, não entendem. É preciso fazer com que o cidadão compreenda aquilo que está sendo dito”, explicou.

Heraldo Pereira defendeu uma relação mais estreita e madura dos magistrados com os jornalistas. Mas, deixou claro: “Não temos compromisso com os senhores, não temos compromisso com a instituição, por melhores que sejam os seus projetos. Nosso compromisso é com a opinião pública”, falou.

Perguntas e respostas

Além disso, Heraldo Pereira alertou os magistrados a terem cuidado no contato com os jornalistas – “nós sabemos arrancar informações de vocês, sabemos mexer com a vaidade de vocês” -, inclusive em situações informais. Também lembrou aos jovens magistrados que eles não são obrigados a responder tudo que lhes é perguntado.

“Nós, jornalistas, podemos perguntar o que quisermos. O problema não é a pergunta. É a resposta, e a resposta é de vocês. Por isso sempre digo para os senhores não se incomodarem com perguntas. Se avaliar que não deve responder, não responda”, ressaltou o jornalista e advogado.

Outro tema abordado pelo jornalista foi quanto ao uso das redes sociais e outras ferramentas da internet por parte dos juízes. Esses meios, que Pereira classifica como “informais”, são difíceis de ser controlados e monitorados. “Os senhores devem ter cuidado com o que colocam no twitter ou no facebook, porque a conta não é só sua, é do Judiciário”, afirmou.

Heraldo Pereira lembrou que uma frase mal colocada ou uma imagem comprometedora pode ser disseminada para milhares de pessoas rapidamente pela rede. “Não sabemos para onde vai a comunicação informal. Uma vez na rede, foge do controle”, ressaltou. “Não se esqueçam que vocês não deixam de ser juízes nas situações informais, como nas redes sociais. O que você coloca na web pode refletir na sua atividade profissional e na imagem do Judiciário”, explicou.

O curso de Iniciação Funcional de Magistrados prossegue até o próximo dia 22 de março.