Profissionais da imprensa participam de roda de conversa na Enfam

Ação educacional destinada a magistrados de países de língua portuguesa é uma parceria da Escola com a Unesco

A assessora de comunicação social do Conselho de Justiça Federal (CJF), Ana Cristina Rosa; o sócio-fundador do site JOTA Felipe Recondo, e a colunista do site UOL Maria Carolina Trevisan estiveram na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), na tarde de terça-feira (24/5), para falar sobre o tema “Jornalistas – entrevistas/vivências/liberdade de expressão”. O encontro, que contou com a moderação do chefe da Área de Liberdade de Expressão e Segurança da Unesco, Guilherme Canela, fez parte do Curso de Formação de Formadores: liberdade de expressão, acesso à informação e segurança de jornalistas, iniciativa da Escola em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Foram tratados temas como a disseminação de notícias falsas, desinformação na internet e o diálogo entre o Poder Judiciário e a imprensa. Em sua apresentação, Guilherme Canela ressaltou que é preciso haver mais diálogo entre jornalistas e juízes, mas observando sempre a independência de cada um em suas atividades, essencial para uma sociedade democrática.

Experiências

A jornalista Maria Carolina Trevisan falou sobre a importância da cobertura jornalística na área dos direitos humanos e sobre como o papel do jornalista, quando desempenhado de forma correta, com apuração detalhada e rigorosa, se torna um instrumento de exposição da verdade para sociedade. “A cobertura dos direitos humanos está o tempo todo ligada com a justiça”, disse.

Ana Cristina Rosa discorreu sobre seus trabalhos à frente da assessoria de comunicação de órgãos públicos, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no período do processo eleitoral de 2018. “Foi uma experiência desafiadora, pois naquele momento, ninguém estava preparado para enfrentar uma campanha de desinformação nas redes sociais daquele nível contra a instituição eleitoral e a urna eletrônica”, disse a jornalista. Ana falou sobre o trabalho conjunto e de integração realizado entre veículos de imprensa, agências de checagem e o TSE, a fim de combater as chamadas fake news, disseminadas amplamente na sociedade civil.

Já Felipe Recondo falou sobre sua cobertura do poder judiciário. O jornalista comentou sobre a exposição das audiências públicas nos meios de comunicação das próprias instituições judiciárias e como isso tornou, na visão do jornalista, as informações translúcidas, mas não transparentes para a população.

De acordo com o jornalista, existe um “descompasso” entre o que o jornalista espera, o que os leitores esperam e o que o judiciário pode entregar no quesito dos processos judiciais. Segundo Felipe, essa diferença de olhares gera um hiato entre o Judiciário e a imprensa, explicando em partes o porquê de, às vezes, os jornalistas estarem de um lado e os juízes de outro. “Na minha visão, nós, jornalistas, acabamos cobrindo os processos pelo fim, então, o resultado final acaba sendo mais relevante e o que aconteceu antes, durante toda a tramitação do processo, do conhecimento e convencimento do juiz, do procurador, aparenta não ser tão importante quanto a decisão final”, apontou o sócio do site JOTA.

A programação do curso, que segue até a próxima sexta-feira (27), contará ainda com simulações e vários outros temas como a formação por competências na abordagem da liberdade de imprensa, do acesso à informação e da segurança de jornalistas; Liberdade de expressão: seus marcos internacionais e regionais, os limites legítimos à liberdade de expressão, e a ponderação de valores; Acesso à informação e segurança de jornalistas; Os impactos da era digital; A perspectiva de gênero na liberdade de expressão e no acesso à informação e na segurança de jornalistas.