Questões sobre a violência doméstica e preconceito de gênero e raça são tratadas em painel da Enfam

Aconteceu ontem (7), na Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), o painel “A pandemia e as desigualdades de gênero e raça: quais desafios e como enfrentá-los?”, parte do curso Covid-19 e Violência Doméstica. Diferenças de raça e de classe frente à educação básica, e questões relacionadas ao perigo da violência doméstica com o confinamento em massa foram os temas tratados.

Com a coordenação da juíza Adriana Ramos de Mello, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), as palestras foram proferidas pelas professoras Gina Vieira Ponte de Albuquerque e Ana Lúcia Sabadell. Elas falaram sobre os efeitos da pandemia e do isolamento social no acesso à educação e na violência sofrida dentro do lar, respectivamente.

Gina Vieira Ponte de Albuquerque, especialista na área de educação, falou sobre a necessidade de se preservar a função social da educação e da escola, levando em consideração questões sociais e étnicos-raciais. Segundo ela, é preciso perceber que as ações políticas sociais tomadas desconsideram o abismo social do país. Ela questionou o apego à entrega de conteúdo na nova configuração educacional estabelecida pela pandemia, desconsiderando a realidade de muitas famílias.

Já a professora Ana Lúcia Sabadell, especialista em Sociologia do Direito, foi buscar as origens da violência de gênero na constituição da sociedade e descortinou a relação perversa entre privacidade, intimidade e violência doméstica. Mais do que a violência contra a mulher, ela expandiu seu tema às crianças e aos membros da sociedade LGBTQI+.

O painel aconteceu por videoconferência e foi transmitido pelo canal especial para a Covid-19 da Enfam, onde o conteúdo continuará à disposição dos interessados.