No Copedem, Enfam discute os impactos da IA na formação da magistratura

Evento é realizado até esta sexta-feira em Foz do Iguaçu

“Algo muito diferente em relação à tecnologia está acontecendo e a gente precisa, de certo modo, ter uma postura de resgate daquilo que é humano para que a inteligência artificial não nos destrua enquanto seres dignos, capazes, pensantes e críticos”, disse o secretário-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), George Marmelstein, durante o LXIX Encontro do Colégio Permanente de Diretores de Escolas Estaduais da Magistratura (Copedem).

O evento teve início nesta quinta-feira (24), em Foz do Iguaçu (PR), e Marmelstein participou de mesa temática sobre Capacitação, inovação e desenvolvimento de IA generativa nas escolas judiciais.

Mudanças na forma de trabalho
Segundo o magistrado, há três teses que indicam uma mudança completa na forma de trabalho da magistratura e que os formadores precisam estar preparados para este cenário: a IA está transformando a forma de realizar e de administrar a Justiça; as tarefas jurídicas operacionais relacionadas à linguagem serão realizadas por máquinas; e as máquinas já alcançaram a singularidade jurídica, em certas condições.

“O grande desafio da formação é manter o ser humano no controle, com propósito e relevância nesse mundo em que as máquinas produzem conhecimento em um nível que nenhum ser humano consegue produzir. A questão central é como que a gente consegue, a partir desse modelo, manter o humano no controle, com propósito e com relevância”, refletiu George Marmelstein.

Ele também trouxe uma reflexão sobre que tipo de contribuição o ser humano pode ter em um sistema que consegue produzir conhecimento de altíssima qualidade de forma autônoma. “É o paradoxo da automação: as máquinas produzem conhecimentos complexos, com cada vez mais qualidade, e o ser humano está transferindo boa parte do seu esforço cognitivo para esses equipamentos. Quanto mais confia na máquina, mais transfere para ela o trabalho e menos hábil se torna para criticá-la ou controlá-la quando ela falha”, explicou.

O papel das escolas nesse contexto
O secretário-geral da Enfam defendeu que as escolas judiciais e da magistratura capacitem suas equipes e os magistrados no uso de inteligência artificial, a partir de dois tipos de ferramentas: universalizáveis, que todos podem utilizar; e avançadas, voltadas a casos complexos.

Para Marmelstein, também é preciso haver um projeto de resgate de humanidade, em que será necessário exercitar a criatividade e o senso crítico. “Tudo isso como um projeto para que o ser humano consiga controlar a máquina, para que tenha repertório de trabalho e tenha uma contribuição a dar. Se o ser humano não tem esse repertório, ele pode ser substituído por uma máquina”.

LXIX Copedem
A reunião do Copedem segue até esta sexta-feira (25) e reúne integrantes da magistratura, dirigentes e representantes de escolas judiciais, gestores, especialistas e parceiros institucionais para discutir a formação de profissionais, a governança e o uso ético, seguro e responsável da inteligência artificial generativa nas atividades jurisdicionais e administrativas do Poder Judiciário.

As discussões são transmitidas no canal do Copedem no YouTube.