Lideranças discutem, no STJ, representatividade, equidade racial e desafios estruturais
“Enquanto houver racismo e discriminação, o nosso desafio é debatermos por todos os cantos do mundo”, disse o diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), ministro Benedito Gonçalves, durante a abertura do 8º Encontro Nacional de Juízas e Juízes Negras e Negros (Enajun) e do 5º Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e Todas as Formas de Discriminação (Fonajurd). Os eventos ocorreram nesta terça-feira (9), no auditório externo do Superior Tribunal de Justiça (STJ), com transmissão pelo YouTube.
“Os eventos nos convocam a uma introspeção institucional profunda. Ao nos reunirmos neste teto da Corte Superior, que merece nossa deferência e respeito, materializamos, por esta via, o reconhecimento também de que há uma promessa constitucional de uma sociedade plural, onde a diversidade não é apenas tolerada, mas reconhecida como valor fundante e indispensável à própria jurisdição”, disse o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, durante a abertura dos eventos.
Também presente na mesa, conduzida pelo presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, destacou a necessidade de o Judiciário repensar o recrutamento de magistrados. “A composição étnica da magistratura no Brasil hoje, em qualquer dos ramos do Poder Judiciário, não é representativa. A conclusão que temos é de que há uma interdição do acesso de pessoas negras a esse espaço de poder e de que é preciso enfrentar a sério nosso processo de recrutamento de magistrados, com ações afirmativas assertivas para que isso seja revertido”, observou.
Já a juíza federal e titular da 5ª vara Federal Criminal no Rio de Janeiro Adriana Cruz falou sobre a importância do evento para discutir e promover mudanças no Judiciário brasileiro. “Esse evento é a reafirmação de uma caminhada coletiva que tem transformado passo a passo a face do Sistema de Justiça brasileiro, com o apoio de tantos companheiros fiéis. Aqui celebramos trajetórias, reconhecemos desafios e, sobretudo, reafirmamos o nosso compromisso com o futuro, onde a equidade racial não seja apenas horizonte, mas realidade concreta.”
Com o tema Vivências Negras: justiça, identidade e pertencimento no Sistema de Justiça, os painéis realizados ao longo do evento abordaram questões como os desafios enfrentados por crianças e jovens negros, a saúde física e mental da população negra, o racismo ambiental e o envelhecimento e a invisibilização da população afro-brasileira. Acesse o vídeo completo com todas as mesas de debate no canal do STJ no Youtube.
