Projeto reúne documentos, imagens e depoimentos históricos para preservar a identidade institucional da Escola
No discurso de instalação da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), em abril de 2007, o então diretor-geral da instituição, ministro Nilson Naves, definiu em poucas palavras a dimensão histórica e simbólica da Escola: “Somos feitos de memória. Somos, ao mesmo tempo, início, meio e fim.”
O Dia da Memória do Poder Judiciário, celebrado em 10 de maio, traz novo significado à reflexão proposta pelo ministro Nilson Naves, com o projeto Memória Enfam, iniciativa voltada à preservação da trajetória institucional da Escola e de sua contribuição para a formação da magistratura brasileira. Acompanhe o vídeo comemorativo nas redes sociais da Enfam.
A iniciativa foi concebida para reunir, organizar e preservar registros materiais e imateriais da instituição, incluindo documentos, fotografias, vídeos e depoimentos que ajudam a compreender a construção da Escola e seu papel no fortalecimento do sistema de justiça.
O projeto é realizado em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio do projeto Formação Judicial Qualitativa, e parte da compreensão de que a memória institucional não se limita ao armazenamento de documentos históricos. Ela também se manifesta nos valores, nas práticas e narrativas que moldaram a identidade da Escola ao longo dos anos. Nesse contexto, preservar a memória significa fortalecer a identidade organizacional e garantir que experiências e aprendizados permaneçam acessíveis às futuras gerações.
Entre as ações do projeto, destaca-se a iniciativa História Oral, dedicada à coleta de depoimentos de personagens que participaram da estruturação e consolidação da Enfam. As entrevistas, realizadas desde o ano passado, registram experiências, percepções e reflexões de antigos gestores e colaboradores que acompanharam diferentes momentos da instituição. Os relatos revelam as expectativas que marcaram os primeiros anos da Escola e ajudam a compreender o papel assumido pela Enfam no sistema de justiça brasileiro.
Os depoimentos mais recentes apontam também para os caminhos futuros da instituição. A atual conselheira nacional do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e ex-secretária-geral da Enfam, entre 2019 e 2022, Cíntia Brunetta, destaca a necessidade de reinvenção permanente da Escola diante das transformações sociais e institucionais.
“Talvez, a Enfam tenha a função de se tornar uma ponte. De tanto fazer com que a magistratura nacional, estadual e federal consiga conversar, como um lugar em que conhecimento possa ser produzido para ajudar. Modelos podem ser produzidos para ajudar”, afirmou.
Ao reunir documentos, registros audiovisuais e narrativas pessoais, o projeto Memória Enfam busca preservar não apenas fatos históricos, mas também os sentidos atribuídos à trajetória da Escola. A proposta é transformar a memória em instrumento de reflexão, fortalecimento institucional e construção de futuro.
